De olho no rótulo

Aprenda a interpretar os rótulos dos alimentos para apoiar escolhas mais conscientes na alimentação de quem vive com SQF.

De olho no rótulo

Para o indivíduo com diagnóstico de Síndrome de Quilomicronemia Familiar (SQF), ter controle sobre sua alimentação é fundamental e saber ler os rótulos faz diferença na hora de realizar as compras de supermercado.1,2

Ter o hábito de ler o rótulo dos alimentos ajudará você a fazer escolhas mais saudáveis. Fique atento, pois muitos alimentos são preparados com mais gorduras do que imaginamos. Elas realçam o sabor da maioria das preparações, por isso são tão utilizadas nos alimentos industrializados.1

Lembre-se de que você deve redobrar os cuidados com a alimentação, uma vez que a SQF impõe restrições alimentares que limitam o consumo de gorduras em até 20 gramas por dia, portanto, fique atento aos rótulos.1

A indústria alimentícia passou por um processo de “desnaturalização” da comida. Inúmeras substâncias químicas e procedimentos para tornar os alimentos mais resistentes, duradouros ou saborosos fizeram com que muito do que é oferecido nos mercados não seja saudável.3

Com isso, para prevenir a população e lhe dar o direito de fazer escolhas bem embasadas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou a Rotulagem Nutricional Obrigatória (RNO)4, em conformidade com as diretrizes do Mercosul.5 Com a RNO, a indústria alimentícia foi obrigada a colocar nas embalagens as informações calórico/nutricionais e composição do alimento que está sendo vendido.4

Informações nutricionais em rótulos de alimentos
Exemplo de leitura de rótulo

Todos os rótulos de alimentos trazem informações nutricionais organizadas para facilitar a leitura. Por isso, esteja sempre de olho no rótulo.

Exemplo de rotulagem nutricional

No topo há a porção, definida pelo fabricante em gramas e também em uma medida usual ao consumidor. Abaixo, aparece a composição nutricional do alimento.4,6

  • Valor energético (Kcal): quantidade de energia liberada pelos alimentos para o nosso corpo.
  • Carboidratos: nutrientes que fornecem grande parte da energia às células do corpo.
  • Proteínas: fundamentais para o funcionamento do corpo e para formação dos músculos, produção de hormônios, sistema imunológico e transporte do oxigênio.
  • Gorduras: representam a soma das gorduras saturadas, insaturadas e trans na composição do alimento.
  • Gorduras saturadas: presentes em alimentos de origem animal e também em algumas fontes vegetais.
  • Gordura trans: presente em alimentos que possuem gordura vegetal hidrogenada.
  • Fibras alimentares: auxiliam no funcionamento dos intestinos.
  • Sódio: pode aparecer em grande quantidade em alimentos industrializados.

Ao lado de cada item aparece sua quantidade. O “%VD” indica o percentual do valor diário recomendado oferecido por cada porção, com base em uma dieta de referência.4,6 Desde 2022, as embalagens também trazem alertas frontais sobre alto teor de gordura, sódio e açúcar.

É preciso prestar atenção nas quantidades

Em razão das restrições alimentares, os indivíduos com Síndrome de Quilomicronemia Familiar (SQF) devem estar atentos à quantidade da porção que será consumida, já que as informações dos rótulos não apontam necessariamente para a quantidade total de alimento na embalagem.6

As porções são predefinidas e uma única embalagem pode conter diversas delas. É necessário medir com cuidado para ter certeza de que a quantidade separada de fato corresponde à descrita no rótulo.6

Para auxiliar o indivíduo com Síndrome de Quilomicronemia Familiar (SQF) a consumir adequadamente a quantidade de gordura prescrita no plano alimentar, aplicativos de leitura de rótulos podem facilitar o dia a dia.

  • Desrotulando7: permite escanear o código de barras do alimento e consultar informações nutricionais.
  • EWG’s Food Scores8: ferramenta estrangeira com função semelhante, útil principalmente para produtos importados.
EWG Food Scores
Referências
  1. Williams L, Rhodes KS, KarmallyW, et al. Familial chylomicronemia syndrome: Bringingto life dietary recommendations throughoutthe life span. J Clin Lipidol. 2018;12(4):908-919.
  2. Louzada MLC, Canella DS, Jaime PC, et al. Alimentação e saúde: a fundamentação científica do guia alimentar para a população brasileira. 2019. Disponível em: http://colecoes.sibi.usp.br/. Acesso em: 04 de junho de 2020.
  3. Evangelista J. Tecnologia de alimentos. São Paulo: Atheneu. 2a edição. 2001.
  4. Rotulagem Nutricional Obrigatória. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/ Acesso em: 04 de maio de 2020.
  5. Princípios no Mercosul para a rotulagem frontal de alimentos com conteúdo excessivo de gorduras, sódio e açúcares. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br. Acesso em: 04 de maio de 2020.
  6. Ministério da Saúde. Rótulos de alimentos: orientações ao consumidor. 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/. Acesso em: 04 de junho de 2020.
  7. Desrotulando. Disponível em: https://desrotulando.com/. Acesso em: 04 de maio de 2020.
  8. EWG’s Food Scores. Disponível em: https://www.ewg.org/foodscores/. Acesso em: 04 de maio de 2020.